domingo, 16 de setembro de 2007

O Pai Misericordioso...




"Jesus disse-lhes ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações".
Lc 15, 11-14.
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Abba Pai, quantas vezes eu sou este filho mais novo
sem noção do grande dom que me concedeste
vivendo na exigência permanente da minha porção da herança
com desejo de partir para longe, de me ausentar da Tua presença
julgando-me suficientemente forte para caminhar para longe de Ti...
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Para onde poderei ir que Tu não estejas presente
onde me esconderei do Teu olhar atento e terno
a quem recorrerei nas minhas horas de aperto
em que ombro repousarei e verterei as minhas lágrimas
fruto da minha inconsciência...
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Abba Pai, Paizinho, Papá
não deixes nunca de esperar o meu regresso
de olhar atento prescruta a noite da minha imaturidade
alcança-me com o teu braço forte e mão poderosa
não permitas que o mundo me pareça belo sem a cruz que devo carregar...
***
Carregando a minha cruz com amor
que não seja necessário passar pelas privações
para reconhecer que só em Ti descanso
só no Teu amor misericordioso
se realiza plenamente o meu ser...

sábado, 15 de setembro de 2007

Nossa Senhora das Dores



Liturgia das horas

Dos Sermões de São Bernardo, abade(Sermo in dom. infra oct. Assumptionis, 14-15:Opera omnia, ed. Cisterc. 5 [1968], 273-274) (Sec. XII)

A Mãe de Cristo estava junto à cruz


O martírio da Virgem é recordado tanto na profecia de Simeão como na história da paixão do Senhor. Diz o santo ancião acerca do Menino Jesus: Este foi predestinado para ser sinal de contradição; e, referindo se a Maria, acrescenta: E uma espada trespassará a tua alma.Na verdade, ó santa Mãe, uma espada trespassou a vossa alma. Porque nunca ela podia atingir a carne do Filho sem atravessar a alma da Mãe. Depois que aquele Jesus – que é de todos, mas especialmente vosso – expirou, a cruel lança que Lhe abriu o lado, sem respeitar sequer um morto a quem já não podia causar dor alguma, não feriu a sua alma mas atravessou a vossa. A alma de Jesus já não estava ali, mas a vossa não podia ser arrancada daquele lugar. Por isso a violência da dor trespassou a vossa alma, e assim, com razão Vos proclamamos mais que mártir, porque os vossos sentimentos de compaixão superaram os sofrimentos corporais do martírio.Não foi, porventura, para Vós mais que uma espada aquela palavra que verdadeiramente trespassa a alma e penetra até à divisão da alma e do espírito: Mulher, eis o teu Filho? Oh que permuta! Entregam Vos João em vez de Jesus, o servo em vez do Senhor, o discípulo em vez do Mestre, o filho de Zebedeu em vez do Filho de Deus, um simples homem em vez do verdadeiro Deus. Como não havia de ser trespassada a vossa afectuosíssima alma ao ouvirdes estas palavras, quando a sua simples lembrança despedaça o nosso coração, apesar de ser tão duro como a pedra e o ferro?

Não vos admireis, irmãos, de que Maria seja chamada mártir na sua alma. Admire-se quem não se recorda de ter ouvido Paulo mencionar entre as maiores culpas dos pagãos o facto de não terem afecto. Como isso estava longe do coração de Maria! Longe esteja também dos seus servos.Mas talvez alguém possa dizer: «Porventura não sabia Ela que Jesus havia de morrer?». Sem dúvida. Não esperava Ela que Jesus havia de ressuscitar?». Com toda a certeza. «E apesar disso sofreu tanto ao vê l’O crucificado?». Sim, com terrível veemência. Afinal, que espécie de homem és tu, irmão, e que estranha sabedoria é a tua, se te surpreende mais a compaixão de Maria do que a paixão do Filho de Maria? Ele pôde morrer corporalmente e Ela não pôde morrer com Ele em seu coração? A morte de Jesus foi por amor, aquele amor que nenhum homem pode superar; o martírio de Maria teve a sua origem também no amor, ao qual depois do de Cristo, nenhum outro amor se pode comparar.

Perante a dor e o sofrimento de Maria quem sou eu para me lamentar...

Só mesmo o amor autêntico pode libertar um coração que sofre...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Aqui e agora

O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora


Aqui, onde indefinido
Agora, que é quase quando
Quando ser leve ou pesado
Deixa de fazer sentido

Aqui, onde o olho mira
Agora, onde o ouvido escuta
O tempo, que a voz não fala
Mas que o coração tributa

O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui

E agora

Aqui, onde a cor é clara
Agora, que é tudo escuro
Viver em Guadalajara
Dentro de um figo maduro

Aqui, longe, em Nova Delhi
Agora, sete, oito ou nove
Sentir é questão de pele
Amor é tudo que move

O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui

E agora

Aqui perto passa um rio
Agora eu vi um lagarto
Morrer deve ser tão frio
Quanto na hora do parto

Aqui, fora de perigo
Agora, dentro de instantes
Depois de tudo o que digo
Muito embora muito antes

O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui

E agora

In Gil em Verso

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Segredo

Em segredo me seduziste
E eu deixei-me seduzir
Em segredo me desafiaste
E eu reagi ao desafio
Em segredo… em segredo…

No segredo de noites não dormidas
De um sono que tardava a chegar
No segredo de almas perdidas
Pelo encanto do teu olhar
No segredo… no segredo…

Segredavas-me ao ouvido palavras
De uma doçura que jamais pude encontrar
Segredavas-me um sonho delicioso
Que com bravura eu deveria realizar
Segredavas… segredavas…

Este segredo que da noite fez um dia
De uma madrugada como outra qualquer
Este segredo trouxe-me a alegria
Que no segredo deveria ficar
Este segredo… este segredo…

Mas eis que o segredo foi revelado
Por uma só palavra… um sim
Que transformou o sonho em realidade
De felicidade que jamais terá fim
Se eu permitir que a minha boca fale da verdade
Que um dia deixou de ser segredo e pode ser revelado em liberdade…

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Os Erros

A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida - o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá passar tudo a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?


Sophia de Mello Breyner Andresen, O nome das coisas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Na Suavidade

Na suavidade do teu ragaço
Repouso da correria diária
Em que me envolvo
Correndo sem destino
Em busca da tua presença.

Das fragâncias que emanam
Quando estás por perto
A serenidade que desperta
Um desejo de não te deixar ausentar
De adormecer no teu colo.

Cada dia é mais doloroso
Não te poder reter nas minhas mãos
Não poder aprisionar para sempre
A razão do meu caminhar do meu viver
Só em Ti meu Deus, só em Ti o meu olhar
Encontra o reflexo da minha alma.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

São Pio X

São Pio X


São Pio X, nascido Giuseppe Melchiorre Sarto, (Riese, 2 de Junho de 1835 — Roma, 20 de Agosto de 1914). Foi Papa de 4 de Agosto de 1903 até a data da sua morte. Conhecido como o "Papa da Eucaristia".


Era o segundo de dez filhos de uma família rural da província de Treviso. Ordenado em 1858, estudou direito canónico e a obra de São Tomás de Aquino. Em 10 de Novembro de 1884 foi elevado a Bispo de Mântua, e em 1896 a Patriarca de Veneza sendo eleito Papa em 4 de Agosto de 1903 com 55 dos 60 votos possíveis no conclave.


Governou a Igreja Católica com mão firme numa época em que esta enfrentava um laicismo muito forte e diversas tendências do modernismo, encarado como a síntese de todas as heresias nos campos dos estudos bíblicos e teologia. São Pio X introduziu grandes reformas na liturgia, sempre num sentido tradicional e facilitou a participação popular na Eucaristia. Permitiu a prática da comunhão frequente e fomentou o acesso das crianças à Eucaristia quando da chegada à chamada idade da razão. Promoveu ainda o estudo do catecismo e o canto gregoriano. Criou a Pontifícia Comissão Bíblica e colocou as bases do Código de Direito Canónico, promulgado em 1917 após a sua morte. Publicou 16 encíclicas.


Na lápide do seu túmulo na Basílica de São Pedro no Vaticano, lê-se: A sua tiara era formada por três coroas: pobreza, humildade e bondade.


Foi beatificado em 1951 e canonizado em 3 de Setembro de 1954 por Pio XII. A Igreja celebra a sua memória litúrgica no dia 21 de Agosto. O seu lema era "Renovar todas as coisas em Cristo". É o patrono dos peregrinos enfermos.


Curiosidade: foi o terceiro Papa a falecer no dia 20 de Agosto. Os outros dois são: Papa João XIV (984) e o Papa VII 1823.
In Wikipédia