sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Segredo

Em segredo me seduziste
E eu deixei-me seduzir
Em segredo me desafiaste
E eu reagi ao desafio
Em segredo… em segredo…

No segredo de noites não dormidas
De um sono que tardava a chegar
No segredo de almas perdidas
Pelo encanto do teu olhar
No segredo… no segredo…

Segredavas-me ao ouvido palavras
De uma doçura que jamais pude encontrar
Segredavas-me um sonho delicioso
Que com bravura eu deveria realizar
Segredavas… segredavas…

Este segredo que da noite fez um dia
De uma madrugada como outra qualquer
Este segredo trouxe-me a alegria
Que no segredo deveria ficar
Este segredo… este segredo…

Mas eis que o segredo foi revelado
Por uma só palavra… um sim
Que transformou o sonho em realidade
De felicidade que jamais terá fim
Se eu permitir que a minha boca fale da verdade
Que um dia deixou de ser segredo e pode ser revelado em liberdade…

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Os Erros

A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida - o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá passar tudo a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?


Sophia de Mello Breyner Andresen, O nome das coisas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Na Suavidade

Na suavidade do teu ragaço
Repouso da correria diária
Em que me envolvo
Correndo sem destino
Em busca da tua presença.

Das fragâncias que emanam
Quando estás por perto
A serenidade que desperta
Um desejo de não te deixar ausentar
De adormecer no teu colo.

Cada dia é mais doloroso
Não te poder reter nas minhas mãos
Não poder aprisionar para sempre
A razão do meu caminhar do meu viver
Só em Ti meu Deus, só em Ti o meu olhar
Encontra o reflexo da minha alma.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

São Pio X

São Pio X


São Pio X, nascido Giuseppe Melchiorre Sarto, (Riese, 2 de Junho de 1835 — Roma, 20 de Agosto de 1914). Foi Papa de 4 de Agosto de 1903 até a data da sua morte. Conhecido como o "Papa da Eucaristia".


Era o segundo de dez filhos de uma família rural da província de Treviso. Ordenado em 1858, estudou direito canónico e a obra de São Tomás de Aquino. Em 10 de Novembro de 1884 foi elevado a Bispo de Mântua, e em 1896 a Patriarca de Veneza sendo eleito Papa em 4 de Agosto de 1903 com 55 dos 60 votos possíveis no conclave.


Governou a Igreja Católica com mão firme numa época em que esta enfrentava um laicismo muito forte e diversas tendências do modernismo, encarado como a síntese de todas as heresias nos campos dos estudos bíblicos e teologia. São Pio X introduziu grandes reformas na liturgia, sempre num sentido tradicional e facilitou a participação popular na Eucaristia. Permitiu a prática da comunhão frequente e fomentou o acesso das crianças à Eucaristia quando da chegada à chamada idade da razão. Promoveu ainda o estudo do catecismo e o canto gregoriano. Criou a Pontifícia Comissão Bíblica e colocou as bases do Código de Direito Canónico, promulgado em 1917 após a sua morte. Publicou 16 encíclicas.


Na lápide do seu túmulo na Basílica de São Pedro no Vaticano, lê-se: A sua tiara era formada por três coroas: pobreza, humildade e bondade.


Foi beatificado em 1951 e canonizado em 3 de Setembro de 1954 por Pio XII. A Igreja celebra a sua memória litúrgica no dia 21 de Agosto. O seu lema era "Renovar todas as coisas em Cristo". É o patrono dos peregrinos enfermos.


Curiosidade: foi o terceiro Papa a falecer no dia 20 de Agosto. Os outros dois são: Papa João XIV (984) e o Papa VII 1823.
In Wikipédia

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Quem és tu

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?

A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.

A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.

in Obra Poética - Poesia - Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

O Pequeno José

Depois de alguma ausência eis que regresso, regresso de mansinho porque ainda não me refiz de todo, estive ausente deste nosso cantinho mas ocupado com as lides de um pároco de aldeia cujos emigrantes chegaram de férias com muito trabalho e muita urgência.

O post que hoje publico é da autoria de uma amiga que granjeie por estas bandas, a MARTA, ela escreve de forma soberba coisas que me têm feito refletir, com a devida autorização passo a postar este belo texto, longo mas saboroso, espero que vos delicieis com a leitura e procureis fazer o mesmo que ela.

"Hoje, regresso para vos contar a estória do pequeno José. Uma estória, que é a história de tantos meninos e meninas!O nosso herói, sim, porque é de heróis que falamos hoje. Não desses que se armam, mas dos que o são sem saber… mas continuemos, o nosso herói nasceu em Moçambique, em Chigamane, em 2001. A guerra civil terminara quase há 10 anos, mas as marcas continuavam e continuam ainda hoje por lá. O José nasceu num país com uma beleza fascinante, mas de uma dureza atroz. Um país onde é necessário percorrer quilómetros, para ter acesso a um pouco de água, um país onde quase 40% da população vive com menos de um dólar por dia, um país onde cada criança que nasce têm uma esperança média de vida de 38 anos. Não me enganei, são mesmo 38 anos, quantos de nós já atingimos essa idade, ou estamos prestes a fazê-lo… e estamos ainda a construir as nossas vidas, a iniciar as nossas famílias. Para o pequeno José, o tempo corre num ritmo diferente!A família que o gerou, é humilde, a mãe, trabalha a horta, caminha 2 horas por poucos litros de água, que carrega nas costas e o pai, procura trabalho, um trabalho que não encontra. As preocupações são as mais básicas e mais legitimas, um prato de comida, uma refeição quente… nem sempre o pequeno José têm esse luxo. Não frequenta a escola, que poderia determinar um futuro diferente… os pais não têm como pagar o material escolar… as roupas são as de sempre, os sapatos… são a pele seca revestida a pó…Mas o José têm uns olhos lindos que abraçam o mundo, um sorriso rasgado, de quem acredita, de quem é feliz… sou incapaz de entender, sou demasiado pequena… o José é feliz, com a simples graça de mais um dia o sol subir alto e brilhar, o José é feliz por sonhar abraçado à lua, que entra pelo telhado tosco da sua palhota e lhe vela o sono… o José sonha, porque os sonhos são de quem têm capacidade de sonhar…O José precisa de pouco, quase nada…

Eu decidi, que vou partilhar com um “José” pouco mais do que o valor de um jantar por mês. Esse pouco, quase nada, irá mudar a sua vida… irá garantir uma alimentação correcta, irá permitir que tenha acesso ao mínimo em termos de cuidados de saúde, irá dar-lhe uma educação de base, irá ensinar ao “José” uma profissão, irá permitir um futuro melhor!Chega de alimentar a miséria… está na hora de começarmos a combater o mal pela raiz, está na hora de começarmos a ensinar a quem quer aprender a subsistir sozinho! Os pequenos “Josés” não querem viver de esmolas, querem ter formação, querem aprender um oficio, querem uma vida simples, mas digna, querem uma oportunidade!Eu tive essa oportunidade, vocês que aqui me lêem tiveram-na… tentemos partilhar com outros a sorte que nos coube!


Deixo-vos o link da
CCS Portugal. Visitem o site, vejam como não é difícil ajudar. Sei que as nossas vidas não são fáceis, sei por mim própria que nem sempre é possível fazer muito, nesse caso divulguem esta associação, esta ou outras, estes espaços que temos, têm porta directa para o mundo, usemo-la!"

Post da autoria de Marta

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A Geometria de Platão...ou a da Elsa?

"Aqui só entra quem for geómetra"
Platão

Não, não vou falar de geometria, pelo menos dessa, que estão a pensar...A frase de Platão figurava na Academia fundada por ele...Tive que explicar a frase a uma criança (ao meu filho), ele porém tomou exactamente o que estava escrito...e vi pela sua expressão que estava a pensar que Platão estava a descriminar as pessoas, eu pensei - Não ! Platão não faria isso...o homem da amizade, do amor...não é possível!) e interrompi-lhe os pensamentos...comecei então a explicar-lhe esta geometria...que tinha muito mais a ver com a geometria interior, com as formas perfeitas, mas interiores, e que todos nós deveríamos ser "geómetras" neste sentido, nas ideias e principalmente no coração...pois se fossemos assim, podíamos entrar em qualquer coração sem nunca o ferir ou machucar!Eu "tremia" perante a explicação...será que era isto que Platão queria?? Não sei!! Mas o meu filho, pelo menos ficou satisfeito e dizia-me - Entendo sempre o que me dizes, porque falas de coração para coração - .
Publicada por elsa nyny em - http://eu-estou-aki.blogspot.com/