quinta-feira, 19 de julho de 2007

Só em Ti repousa...


Em Ti

só em Ti repousa o meu coração

apressado que na correria

se esquece de viver

cada momento como sendo o último.


Em Ti

só em Ti acalma o meu ser

afeito a corridas sem fim

sem uma meta definida

que não seja a Tua meta.


Em Ti

só em Ti encontram eco

as minhas palavras gastas

de tanto se repetirem

falando do Teu reino de paz.


Em Ti

só em Ti serena a minha alma

sedenta pela Tua presença

que ilumina cada passo

em direcção a Ti no irmão.


Em Ti

só em Ti Deus amante

sossega este coração

ávido de amor

que ama entregando-se a Ti, só a Ti.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Calem-se as palavras...





Porque hoje as imagens podem dizer mais que as palavras....
Louvado sejais Senhor pelas vossas maravilhas...

domingo, 15 de julho de 2007

A concha e a Pérola


"Para gerar outra vida, a concha recebe a areia, que incomoda, e fere, e magoa, mas que, por defesa e ânsia de criação, a ostra envolve com camadas e camadas de Nácar puro... (Como proteção, envolve o mínimo grão com sua melhor produção...) E este, ínfimo grão mutante, de mais um entre milhares torna-se único. Aquele que, burilado pelo tempo e pelo esforço, pelo contínuo trabalho, pelo doar-se constante de sua agora origem, torna-se pérola... Que se mostra, e vive, e brilha, apenas e tão somentequando a concha se abre...
Ouse, nesta vida, ser concha!


Permita-se, nesta vida, ser pérola!Quando alguém te magoar ou te ferir, revista-se da mais preciosa jóia de Deus: cubra-se de amor e ternura. Se seguirmos o exemplo da concha, o ódio não terá como se desenvolver, mas o amor se estenderá e será o revestimento mais belo e precioso que será dado em troca de toda areia da vida que nos possa ferir."

sexta-feira, 13 de julho de 2007

NÃO SE APRENDE

Não se aprende grande coisa com a idade.
Talvez a ser simples,
a escrever com menos adjectivos.
Demoro-me a escutar um rumor.
Pode ser prelúdio tímido ainda
do cantar dum pássaro, uma gota
de água na torneira mal fechada,
a anunciação do tão amado
aroma dos primeiros lilazes.
Seja o que for, é o que me retém
aqui, me sustenta, impede de ser
uma qualquer vibração de cal,
simples acorde solar, um nó
de luz negra prestes a explodir.
Eugénio de Andrade, Poesia.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

No Silêncio da Noite


No silencio da noite
Quando as luzes se apagam
Fico a contemplar o céu.
A vastidão do firmamento
Eleva-me ás alturas
Perco-me a contar as estrelas
Cada uma com o seu brilho particular.

Aqui um pontinho luminoso
Além uma luz mais forte.
Que artista sábio para assim as ordenar
Vai longa a noite o dia tarda a raiar
Fico de olhar fixo num pequeno pontinho
Um pontinho chamou a minha atenção.

Será a sonolência ou estou de facto a ver
Parece que esta luzinha se vai movendo
Desenhando no ar figuras ondulantes
Que deixa suspensas em cada movimento
Entretenho-me a seguir com o olhar
Cada trajectória deste pequeno “ser”.

Dou por mim a pensar:
Onde gostaria de ir se fosse uma estrela?
Onde gostaria de projectar a minha luz?
E a resposta não se faz tardar
Onde a claridade se faz esperar.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Entrega...



Quando compreendi que havia um Deus, então vi que nada mais podia fazer que consagrar-lhe a minha vida.

A vocação não se escolhe: recebe-se, aceita-se, prestando ouvidos ao querer de Deus.

(Carlos de Foucauld)


Juntamente com mais 4 colegas celebro hoje o 8 aniversário da minha ordenação presbiteral. Têm sido 8 anos de uma entrega permanente a Deus nos irmãos, tempos vividos com alguns altos e baixos neste caminho que nos escolheu, momentos de certezas e dúvidas alicerçadas na esperança em Deus.



Nesta manhã de alegria recebia de uma amiga que tem acompanhado de perto a minha vida pastoral recente a mensagem que passo a transcrever:

" Esperança
canto mas o meu canto é triste.
Não sou capaz de nenhum outro agora.
Em cada verso chora uma ilusão, tolhida na amplidão que lhe sonhei...
Felizmente que sei cantar sem pressa.
Que sei recomeçar...
Que sei que hà uma promessa no acto de cantar..."

Suplico a todos quantos me visitais neste meu e vosso cantinho o favor de rezar ao Senhor da messe para que os nossos braços fatigados da sementeira não de deixem cair desanimados por parecer demorar a desejada colheita.


domingo, 8 de julho de 2007

Rio de saudade...



Nas sossegadas margens de um rio
Chamado saudade
Permiti que as palavras fossem silenciadas
Quedei-me na fresca sombra dos salgueiros
E deixei que o som das águas correntes
Me levasse para um lugar longínquo
O lugar das minhas recordações

Como passou depressa o tempo
Nas margens deste rio
O meu rio de saudade

Recordei a infância com as suas tropelias
As corridas, o jogo das escondidas
A apanhada, a cabra cega…
Que saudades Deus meu, que saudades
Do tempo em que tudo parecia possível
Em que os sonhos eram um lampejo de realidade
Em que perder a corrida motivava o choro
Que silenciava com um pequeno afago

Como passou depressa o tempo
Nas margens deste rio
O meu rio de saudade

Com leveza evoquei a minha adolescência
Tempo de quimeras
Adocicadas no fervor da puberdade
Sonhos de menino com desejo de seguir em frente
Lançando-me nos braços da aventura
Em que subir mais alto era sinal de bravura
Destemidamente nem o olmo mais alto escapou à minha escalada


Como passou depressa o tempo
Nas margens deste rio
O meu rio de saudade

De relance revi a minha juventude
Toda vivida na perseguição de uma entrega
Nas mãos d’Aquele que me chamou à vida
Época de encontros e desencontros
Na incerteza de um caminho que teimava em ser esquivo
Por entre avanços e recuos
Nas escarpas de um sonho que começava a ser realidade


Como passou depressa o tempo
Nas margens deste rio
O meu rio
de saudade